São Paulo, março de 2026 – A rotina de Luis Roberto de Castro, operador de produção da Ypê, ganhou um novo capítulo em fevereiro deste ano. Aos 64 anos, ele recebeu o certificado de conclusão do ensino médio dentro da mesma unidade industrial onde trabalha há 34 anos. A formatura coroou um processo de retomada dos estudos iniciado dois anos antes, quando decidiu ingressar no EducarY, programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) mantido pela Ypê, empresa 100% brasileira e líder no segmento de higiene e limpeza do país.
Luis havia interrompido a escolaridade ainda jovem. A necessidade de trabalhar e a distância de quase oito quilômetros de onde morava até a escola dificultavam sua permanência nas aulas, especialmente no turno da noite. O caminho de volta aos estudos só se abriu décadas depois, quando a empresa passou a oferecer salas de aula dentro da fábrica. Ele concluiu primeiro o ensino fundamental e, na sequência, o ensino médio, com apoio pedagógico e adaptações para lidar com um problema de visão congênito.
“Quando surgiu a oportunidade com o EducarY, não podia deixar passar. Precisei me adaptar ao ritmo e ao volume de conteúdo, mas tive apoio dos professores e da empresa, inclusive com um computador preparado para mim”, afirmou Luis, que atua na unidade de Sabão em Barras da Ypê, na cidade de Amparo, no interior de São Paulo.
Formação dentro da indústria
Formandos durante cerimônia realizada em Amparo, no interior de São Paulo – Crédito: EZ Eventos
Criado em 2018, o EducarY foi desenvolvido para enfrentar o déficit de escolaridade entre trabalhadores da indústria. Desde então, a iniciativa já possibilitou que cerca de 150 colaboradores concluíssem o ensino fundamental ou médio. As turmas funcionam dentro das unidades industriais da Ypê, com aulas presenciais ministradas por professores da EJA em horários ajustados à operação. Ao final do ciclo, os participantes recebem certificação reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Os estudantes têm entre 23 e 66 anos e atuam tanto em áreas operacionais quanto administrativas. O programa é contínuo e com novas turmas abertas conforme a demanda.
Segundo a empresa, o programa integra o seu ecossistema educacional que reúne iniciativas voltadas à formação básica, qualificação técnica e desenvolvimento contínuo. Entre essas iniciativas está o EducaYpê, programa voltado à formação da comunidade com trilhas de aprendizado específicas. Já os conteúdos técnicos e profissionalizantes são desenvolvidos em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), especialmente para a formação dos nossos aprendizes. A companhia também ampliou recentemente o acesso de colaboradores e familiares à educação formal por meio da parceria com a plataforma Unico Skill. O benefício permite que funcionários e dependentes (como cônjuges, pais e filhos a partir de 16 anos) tenham acesso a mais de 20 mil opções de graduações, pós-graduações, cursos livres, de idiomas e mentorias.
“Acreditamos na educação como uma força capaz de transformar trajetórias. Quando oferecemos oportunidades reais de desenvolvimento, reconhecemos o potencial de cada pessoa e criamos condições para que todos avancem no seu próprio ritmo. Esse investimento não é apenas sobre qualificação; é sobre ampliar horizontes, fortalecer vínculos e construir um futuro compartilhado, no qual as pessoas são protagonistas do seu crescimento”, afirma Cristiane Lacerda, diretora executiva de Gente, Cultura, Diversidade e Inclusão da Ypê.
Dados do Mapa do Trabalho Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontam que 11,8 milhões de profissionais precisarão ser requalificados até 2027 para atender às novas demandas tecnológicas da indústria. Nesse contexto, programas como o EducarY ganham relevância como instrumentos de qualificação e empregabilidade.
Uma trajetória que reflete tendências nacionais
A história de Luis se soma à de milhares de trabalhadores brasileiros que retomam a escolaridade na vida adulta. Segundo dados do próprio setor industrial, a exigência por novas competências e o avanço de tecnologias digitais têm ampliado a demanda por formação básica e técnica. Para empresas, iniciativas de educação corporativa passaram a compor a estratégia de fortalecimento da base produtiva e de atração e retenção de talentos.
No caso da Ypê, uma empresa com mais de 75 anos de história e mais de 7.300 colaboradores, a qualificação contínua tem sido tratada como parte da cultura organizacional. A companhia opera sete complexos fabris no país e foi reconhecida pelo GPTW 2025 entre as melhores empresas da indústria para trabalhar.
