São Paulo, setembro de 2026 - No mês em que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) completa seis anos de vigência no Brasil, a discussão sobre segurança da informação vai além da criação de políticas, contratos e procedimentos. Também envolve garantir que colaboradores, fornecedores e demais parceiros consigam encontrar, compreender e aplicar corretamente as orientações relacionadas à privacidade e à proteção de dados.

Na prática, informações extensas, linguagem excessivamente técnica e fluxos pouco intuitivos podem dificultar a identificação de uma tentativa de fraude ou atrasar a comunicação de um incidente. É nesse ponto que o Legal Design e o Visual Law podem contribuir, ao combinar linguagem simples, organização da informação, recursos visuais e experiência do usuário para transformar conteúdos técnicos em orientações mais objetivas e acionáveis.

Segundo os princípios da LGPD, transparência, segurança e prevenção devem orientar o tratamento de dados pessoais. A legislação também prevê a adoção de medidas técnicas e administrativas para proteger essas informações contra acessos não autorizados e situações acidentais ou ilícitas. Embora os recursos tecnológicos sejam indispensáveis, a proteção também depende de que as pessoas reconheçam os riscos e saibam como agir diante deles.
"Segurança da informação não depende apenas de sistemas e ferramentas. Ela também exige que as pessoas reconheçam riscos e saibam exatamente como agir. Quando uma orientação é clara, objetiva e fácil de localizar, aumentamos a capacidade de resposta e reduzimos a possibilidade de um erro humano ser explorado por criminosos", afirma Paulo Yukio, DPO da Ypê.


Informação clara como camada de proteção

O Legal Design aplica princípios e metodologia do design centrado no ser humano à criação de soluções jurídicas, com o objetivo de tornar o Direito mais compreensível, acessível e eficiente, aprimorando serviços, processos, sistemas, documentos e experiências jurídicas a partir do entendimento das necessidades reais dos seus usuários. O Visual Law, é uma vertente do Legal Design em que se utiliza recursos visuais para facilitar a navegação e a compreensão de conteúdos legais e regulatórios. Os elementos gráficos, porém, constituem apenas uma parte desse trabalho, que também envolve aplicação de linguagem simples, arquitetura e hierarquização da informação, acessibilidade, definição de jornadas e escolha dos canais adequados.

"O maior equívoco é tratar Legal Design como algo meramente estético e superficial. Quando ele é aplicado com técnica e metodologia, deixa de ser apenas um documento bonito e vira redução de risco. Para uma cultura forte em proteção de dados busca-se a compreensão profunda de políticas e documentos de governança, e neste sentido, o uso de ferramentas como o Visual Law é fundamental para quebrar barreiras e resistências comunicacionais. Transformar documentos que ninguém lê em conteúdos claros, interessantes e engajadores pode ser determinante para o cumprimento da LGPD e outras situações práticas como identificar e barrar uma fraude. No VLK, partimos sempre de quem vai receber a informação, por qual canal e que decisão precisa tomar”, explica Gisele Karassawa, sócia do VLK Advogados.

Gisele também pontua a seguir algumas aplicações possíveis para o meio corporativo:

·       Pílulas informativas, por exemplo, com orientações sobre credenciais com instruções objetivas sobre autenticação multifator, senhas e compartilhamento de acessos e alertas de phishing que destaquem sinais de risco, como remetentes desconhecidos, links suspeitos, erros de domínio e solicitações urgentes de dados ou pagamentos.

·       Fluxos de resposta a incidentes que organizem, de maneira visual e linguagem simples, os canais de comunicação internos, responsáveis e providências a serem adotadas.

·       Políticas de segurança da informação organizadas por perfil de colaboradores e responsabilidades, em vez de documentos extensos e pouco intuitivos.

·       Materiais voltados ao público externo que ajudem consumidores e fornecedores a reconhecer canais oficiais, comunicações legítimas e tentativas de fraude que utilizem indevidamente o nome da empresa.

·       Avisos de privacidade e canais dos titulares estruturados para permitir que as informações sejam encontradas e compreendidas facilmente.

"Legal Design não substitui controles técnicos de cibersegurança, como autenticação multifator, monitoramento e gestão de acessos. Nosso trabalho fortalece a camada humana desses controles, que costuma ser a mais explorada por criminosos, mediante engenharia social. É justamente por sermos uma boutique especialista em proteção de dados e resposta a incidentes que conseguimos traduzir esses riscos em orientações que as pessoas de fato compreendem e possam seguir, sem perda de conteúdo jurídico relevante. Uma regra que não é entendida ou uma instrução que não é encontrada, dificilmente produz o comportamento esperado", destaca Gisele.

Exemplo em escala

A Ypê pode ser considerada um case no meio corporativo por utilizar mecanismos simples e eficazes que acompanham a evolução do ambiente regulatório. A companhia possui mais de 7,3 mil colaboradores atuantes em seis complexos industriais, localizados em cinco estados do país, além de exportar para mais de 15 países da América Latina, Ásia, África e Oriente Médio. A empresa também atende como a segunda marca mais consumida pelos brasileiros, estando presente em 96,3% dos lares de todo o território nacional, segundo o levantamento BrandFoot Print 2026.

Em parceria com o escritório VLK Advogados, a companhia vem aplicando conceitos de Legal Design e Visual Law à comunicação de conteúdos jurídicos e de proteção de dados. O desenvolvimento dos materiais considera não apenas a consistência jurídica, mas também quem receberá a informação, por qual canal terá acesso a ela e qual ação ou mensagem precisa compreender. A ação conjunta torna conteúdos técnicos mais acessíveis a diferentes públicos, inclusive àqueles que demandam maior cuidado na comunicação – ou seja, a todos os colaboradores e colaboradoras diretos e indiretos, stakeholders em diferentes escalas e até os consumidores finais de dentro e fora do Brasil.

Para Paulo Yukio, o trabalho também está relacionado à construção de confiança. "Transparência não significa simplesmente disponibilizar um documento. É necessário considerar se a pessoa consegue encontrá-lo, entendê-lo e tomar uma decisão segura a partir dele. Essa preocupação faz parte da cultura de proteção de dados, da gestão de riscos e do cuidado que a companhia mantém com seus diferentes públicos", afirma o gerente executivo de Riscos e Compliance da Ypê.

O conjunto de medidas ainda auxilia a companhia na integração entre as áreas jurídica, de compliance, privacidade, tecnologia, segurança da informação, comunicação e recursos humanos, ampliando o alcance de suas políticas e influenciando na tomada de decisão de comportamentos seguros no cotidiano.

" A clareza tem função jurídica, regulatória e preventiva. Uma comunicação bem estruturada ajuda o titular de dados a exercer seus direitos, o colaborador a cumprir procedimentos e a organização a demonstrar responsabilidade perante os órgãos reguladores. É assim que Legal Design e Visual Law deixam de ser recursos meramente estéticos e passam a integrar a governança corporativa e ser importante ferramenta de conformidade legal e regulatória. Foi esse o caminho que construímos com a Ypê", conclui Gisele Karassawa.

 

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